Poiésis - Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação

A Revista POIÉSIS é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNISUL. Publica textos inéditos em forma de artigos, ensaios, debates, entrevistas ou resenhas sobre temas que contribuam para a investigação científica produzida na área e em áreas afins. A versão on line iniciou em 2008 com o ISSN 2179-2534. Atualmente é classificada como B2 no Qualis CAPES pela área da Educação. Indexada emLatindex - Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal; Sumários.org- Sumários de Revistas Brasileiras; Revistas no SEER (Ibict); Diadorim.BBE – Bibliografia Brasileira de Educação  (Brasil, Cibec/Inep/MEC); Index Corpenicus - Index Corpenicus Internacional.


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Notícias

 

CHAMADA DOSSIÊ

 

“Educação, racismo(s) e formação cultural”

Sobejamente conhecido e discutido, com raízes num passado distante, que remonta aos tempos bíblicos, às formulações de alguns autores greco-romanos da Antiguidade Clássica, aos filósofos iluministas, à escravatura e ao tráfico de escravos, e ao culminar no período do racismo científico, o racismo é ainda hoje um grande desafio para as sociedades contemporâneas.

Considerado patológico por alguns autores (FANON, 1952; KON, SILVIA E ABUD, 2017), o racismo pode manifestar-se sobre diferentes sujeitos a partir da identificação de alguma(s) características(s) tomada(s) como desviante(s) e disruptiva(s) por se considerar que não integram uma normatividade hegemônica. Essa normatividade reporta-se muitas vezes à história da colonização e à história do pensamento do mundo ocidental, mas continua a ter efeitos no presente, sobretudo em momentos de maior tensão social, continuando o racismo a ser frequentemente utilizado como estratégia política e estruturadora das relações sociais.

No caso do Brasil, por exemplo, estamos perante uma sociedade constituída por diferentes grupos étnico-raciais, que a caracterizam em termos sociais e culturais, e que é por isso considerada uma das mais ricas do mundo em termos de diversidade. Essa diversidade e as camadas em que se estrutura constitui, contudo, um dos seus maiores desafios. É que a história das pessoas pertencentes a alguns desses grupos, sobretudo negros(as) e indígenas, é ainda hoje marcada por desigualdades e discriminações reiteradas. que impedem, em certa medida, o acesso a recursos, à educação e a bens culturais produzidos por essa mesma sociedade.

Uma das formas de reduzir a discriminação tendo sido a implementação de cotas para pessoas racializadas (tal é possível no Brasil porque os censos permitem fazer essa diferenciação, ainda que esse processo envolva subjetividade), mas essa opção tem ainda muitos caminhos por trilhar. Por seu turno, o campo da formação e da educação dos indivíduos é fundamental, mas não tem sido suficientemente valorizado e apoiado por sucessivos governos, e é ultrapassado por outras linhas de pesquisa mais dominantes e com mais financiamento. Por um lado, é precisamente através da introdução de conteúdos nos programas escolares, que deem conta da diversidade histórica e atual das sociedades, de forma inclusiva e elogiando todos os contributos, que se pode discutir o racismo e contribuir para uma sociedade mais plural e respeitadora das diferenças. Por outro lado, existem poucos estudos sobre o quotidiano escolar que nos permitam concluir sobre as inovações que estão a ser introduzidas em alguns contextos (em vários níveis de ensino) e quais os efeitos (e progressos ou retrocessos) que começam a ser sentidos em resultado dessas iniciativas.

Apelamos assim ao envio de propostas cujas pesquisas contribuam para este tema, tendo em conta também análises interseccionais, que contemplem outros marcadores sociais, como gênero, classe social (camada social), geração, sexualidade, credo, religião e território (ou espaço de atuação) como potenciais indicadores do que pode favorecer a patologia social do(s) racismo(s). Procura-se, assim, diagnosticar e problematizar as subjetividades objetivadas nas relações sociais e interpessoais em diferentes contextos, em especial no da educação e da formação.

Prazo para submissão: até 31 de janeiro de 2022.

Organizadores

Doutor Christian Muleka Mwewa, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS): Coordenador e professor no Programa de Pós-Graduação em Educação-Mestrado (PPGEdu/CPTL) e Professor no Programa de Pós-Graduação em Educação-Mestrado e Doutorado (PPGEdu/CG) ambos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sociedade (UFMS/CPTL). Doutor em Ciências da Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2010), com estágio doutoral na Université de Paris I Panthéon-Sorbonne (2008). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7079-5836 ; C.V.Lattes: http://lattes.cnpq.br/9098713298204255 . E-mail: christian.mwewa@ufms.br

Doutora Patrícia Ferraz de MatosInstituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa): Antropóloga, Investigadora Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa (UL). Membro do corpo docente do Curso de Doutoramento em Antropologia (DANT) do ICS-UL, desde 2013. Editora Associada de Anthropological Journal of European Cultures (2020-2022). Coordenadora da Europeanist Network da EASA (European Association of Social Anthropologists (2020-2022). Membro Correspondente, em Portugal, da History of Anthropology Network (HOAN) da EASA, desde 2019. Autora de The Colours of the Empire: Racialized Representations during Portuguese Colonialism (Berghahn Books, 2013). E-mail: patricia_matos@ics.ulisboa.pt

 
Publicado: 2021-06-30
 
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v. 15, n. 27 (2021)


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