NEM NO CONVENTO, NEM NO CABARÉ, NA IMPRENSA OPERÁRIA: A AMPLIAÇÃO DAS ESFERAS DISCURSIVAS DA MULHER TRABALHADORA NA REPÚBLICA VELHA

Débora Luciene Porto Boenavides

Resumo


Neste artigo, investiga-se como a escrita da mulher trabalhadora na imprensa operária brasileira da República Velha (1889-1930) influenciou e refletiu a realidade da época. Para tanto, o estudo, ancorado na teoria dialógica do discurso, primeiramente contrapõe duas teses equivocadas advindas do imaginário das elites que, em suas representações, colocavam como lugar das mulheres trabalhadoras da época ora o convento, ora o cabaré, restringindo suas esferas discursivas e, com isso, as possibilidades de sua atuação linguística. Após, o artigo apresenta a relação da mulher trabalhadora com a imprensa operária como outra história de sua linguagem. Desta forma, demonstra-se que, a despeito de todas as tentativas de calar suas vozes, seja através do disciplinamento, da censura ou da estereotipação, os textos das trabalhadoras na imprensa operária mostram sua resistência e apontam os embates pelos quais ocorreu a ampliação de suas esferas discursivas na época.


Palavras-chave


Dialogismo; Imprensa; Mulher; Trabalho

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Ling. disc. Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1982-4017

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