Palavras escritas, indícios de palavras ditas

João Wanderley Geraldi

Resumo


Segundo o ponto de vista bakhtiniano, toda a enunciação é apenas uma fração de uma "corrente de comunicação verbal ininterrupta". Como situar nesta corrente os textos escritos por crianças em seus primeiros anos de escolaridade? Excluí-los desta corrente significaria assumir que o esforço da criança para escrever produz o perverso efeito de uma desterritorialização enunciativa: enquanto falantes, as crianças participariam do processo contínuo de produção de enunciados; enquanto aprendizes da escrita, face ao estranhamento próprio dos convívios iniciais, produziriam textos excluídos deste mesmo fluxo, como se fossem estrangeiros diante das palavras de sua própria língua. Meu objetivo neste trabalho é encontrar, com base na leitura de um conjunto aleatório de textos escritos por crianças, indícios de outros textos, produtos de práticas discursivas escolares cujas palavras, retomadas pelos aprendizes da escrita, adquirem novos tons apreciativos em seus textos e podem revelar suas compreensões das palavras, dos discursos, das atitudes e das relações que se instituem no ambiente escolar.

Palavras-chave


Enunciação; Subjetividade; Escrita; Ensino

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Ling. disc. Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1982-4017

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