Inconfidência Mineira: mediações discursivas

Júnia Diniz Focas

Resumo


Ao focalizarmos a Inconfidência Mineira e suas realizações discursivas, estaremos analisando um processo dialético nascido no núcleo político e econômico da Capitania de Minas Gerais. Lidaremos com conjuntos de unidades discursivas com particularidades específicas: o discurso evasivo como forma de “dizer dupla”, a paráfrase e a polissemia. Nosso objetivo será então o de analisar os funcionamentos discursivos das falas dos inconfidentes, enunciadas no contexto das devassas judiciais através da presença de enunciados pouco precisos (evasivos), da paráfrase, que institui o sentido literal e da polissemia que produz deslocamentos de sentidos através das ambigüidades. O estudo está fundamentado na Análise de Discurso, desvendando os sentidos do poder colonial e de como deles emergiu a fala da liberdade dos conspiradores mineiros. Desse quadro enunciativo, surgiu uma fala contraditória, ao mesmo tempo submissa e rebelde, na qual o discurso evasivo dos inconfidentes, na instância da repressão portuguesa, constituiu o réu condenado – Tiradentes. Desse intrincamento de sentidos, nasce o “discurso da História”, fruto do confronto de sentidos ideológicos no “discurso na História”, fundamentador do símbolo da independência e da identidade da nacional.

Palavras-chave


Discurso; Enunciação; Paráfrase; Polissemia; Ambigüidade

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Ling. disc. Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1982-4017

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