O Novo Espírito do Anticapitalismo

Moysés Pinto Neto

Resumo


É conhecida a interpretação de Luc Boltanski e Ève Chiapello de que os acontecimentos de 1968 teriam desencadeado uma renovação do “espírito do capitalismo”. Assim, se o primeiro espírito, descrito por Max Weber, era do puritano ascético inspirado na ética do trabalho, a “busca por autenticidade” dos jovens de 68 teria desencadeado o novo espírito conexionista e flexível. Porém, ao mesmo tempo em que se criava o primeiro espírito do capitalismo, igualmente um espírito do anticapitalismo se gestava nos sindicatos, intelectuais socialistas e movimentos comunistas e anarquistas. Esse espírito foi igualmente renovado pelos jovens de 68 a partir da crítica à “sociedade industrial”, comum ao projeto unidimensional tanto no mundo capitalista quanto na experiência do “socialismo real” vigente. Assim, se é verdade que 68 desaguou numa renovação do espírito do capitalismo, podemos dizer que igualmente renova o espírito do anticapitalismo, cujos experimentos vivem na radicalidade das críticas feminista, antirracista, decolonial e ecológica do capitalismo hoje em dia.

Palavras-chave


1968; Marcuse; Boltanski e Chiapello; Anticapitalismo; Capitalismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v13e1201859-69

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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