Ficcionar a história: León Ferrari e a política da montagem

Artur de Vargas Giorgi

Resumo


O artista é um montador. Seu gesto é o de intervir no aparente consenso que naturaliza o curso progressivo da história para, expondo seu artifício – sua fábula –, estabelecer a contrapelo uma leitura disseminadora de narrativas – de ficções – alternativas.Ou seja: diante de um arquivo (de imagens, de textos, de tempos), o artista desnaturaliza a montagem por meio do reforço crítico da montagem. Espécie de proposição foucaultiana, vale dizer, proposição da linguagem ao infinito: endereçada ao fazer artístico que especula, no limiar possível da experiência, a contestação dos pressupostos do Estado, do mercado, da mídia, do Direito. León Ferrari, artista argentino exilado em São Paulo durante as últimas ditaduras que consumiram o Cone Sul, sempre em pugna com os pressupostos da civilização ocidental e cristã, ensina com seus trabalhos exílicos que a memória histórica é um efeito a posteriori.

Palavras-chave


Ficção. História. León Ferrari. Montagem.

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v12e22017255-269

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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