"A gente tem que ter o convívio!": contribuições da prática da alimentação viva para a saúde.

Jussara Calmon R S Soares

Resumo


A comensalidade humana caracteriza-se pelos sentidos que atribuímos aos atos da partilha, sentidos estes influenciados social, histórica e culturalmente. As práticas alimentares ajudam a organizar as regras da identidade e da hierarquia social, assim como servem para tecer redes de relações. Este é um ensaio exploratório sobre alimentação viva, em que se busca contribuir para uma reflexão sobre as práticas alimentares hegemônicas nas culturas contemporâneas, alienadas e mecânicas, com graves consequências para a saúde humana. Relata-se uma experiência de observação densa, em que foram comparados dois projetos ligados a uma mesma proposta – alimentação viva, à base de alimentos crus, grãos germinados e suco de clorofila –, porém voltados a públicos diferentes, ocorrendo em espaços e contextos diversos. Entre os resultados principais do trabalho, a constatação da importância fundamental da perspectiva do comer como ato coletivo e, mais, da própria preparação da comida como ato coletivo, o que vem se perdendo nos novos hábitos alimentares da vida contemporânea. Nos dois espaços, a prática da alimentação viva é o elemento que dá àquelas pessoas sua identidade social. Como ato revestido de conteúdos simbólicos e afetivos, o resgate do sentido sagrado da alimentação também mereceu destaque. Discute-se como essa prática pode contribuir para as necessárias transformações na atual cultura alimentar ocidental, em prol da saúde e da qualidade de vida.


Palavras-chave


Alimentação. Saúde. Cultura. Comida.



DOI: http://dx.doi.org/10.19177/cntc.v1e12012%25p

Cad. naturol. terap. complem. Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, 2316-915X

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